Quem conhece a gente sabe o quanto nosso primeiro filme foi e ainda é importante para nós. O documentário “Se você contar” marca os primeiros passos da Andaluz e já teve até aqui um sucesso bem maior do que imaginávamos. O filme ganhou o Prêmio Canal Brasil de Curtas no maior festival de documentários da América Latina, o É Tudo Verdade 2017, e foi convidado para o Festival Internacional da Bienal de Curitiba. Foi exibido e debatido em escolas de Pinheiros, Guarapari, Vitória, Linhares e no campus da Ufes em São Mateus. Ufa! O curta rodou e nós rodamos junto com ele. Falamos sobre como foi fazer o filme, respondemos perguntas que aqueceram nosso coração, porque sabemos que elas só foram possíveis graças ao conteúdo que o filme propõe questionar.

Quando rodamos o estado e o Brasil com “Se você contar”, percebemos o quanto ele está cumprindo sua missão: a de refletir sobre a maneira como lidamos com o abuso sexual de crianças e suas vítimas, e problematizar o tabu que existe sobre um assunto tão difícil e, ao mesmo tempo, tão importante. Fato é que exibimos o documentário para mais de mil pessoas, que provavelmente não conseguem guardar apenas para si as inquietações que ele provoca. Por isso, acreditamos que esses espectadores partilham com outros o que viram e agora refletem sobre o tema. Esse efeito multiplicador nos alegra bem mais do que os prêmios que o documentário ganhou. Várias pessoas sendo impactadas pelo tema, mesmo sem ver o filme, e convidadas a repensar posturas, desconstruir preconceito e acolher as vítimas, definitivamente, clichê e real: não tem preço.

O título deste texto até agora não fez sentido para você? Desculpa, mas é que não dava para contar o presente que ganhamos sem percorrer de novo um pouquinho do trajeto de “Se você contar” até aqui. Vamos lá então.

Depois de ser exibido para muita gente no Brasil, fomos selecionados para participar do Festival de Cine y Derechos Humanos de Madrid, na Espanha. Isso mesmo, amigos, ficamos internacionais! Quem acompanha nossas redes sociais já sabe, mas não custa reforçar.

No início não acreditamos muito. Era um e-mail em espanhol e sempre rola aquela dúvida se é vírus ou mensagem importante mesmo. Pelo menos no pessoal que não sabe falar outras línguas pode apostar que essa dúvida existe. Ainda bem que a gente tem na equipe um poliglota que entende até latim e traduziu a notícia da seleção oficial. Era verdade então.

Fomos para Madri com a mala cheia de expectativas e com enorme espaço para trazer os frutos da nossa primeira viagem internacional e chocolates da Europa também. E trouxemos. Exibimos o doc com mais sete filmes que abordavam questões de direitos da mulher, uma sessão rica de assuntos necessários e filmes que nos movem a refletir sobre a nossa responsabilidade na desordem de que nos queixamos.

Na exibição conseguimos falar, em português e espanhol, um pouquinho sobre o conceito do filme e antecipar o conteúdo que ele entrega aos espectadores. Algumas pessoas nos deram retornos que jamais vamos esquecer, ressaltando o quanto o filme é importante, mesmo para a realidade da mulher na Europa. Esses comentários após as sessões estão também na lista dos prêmios que o filme recebeu. Valem muito.

Sabe o efeito multiplicador de que falávamos antes? Perdemos o controle dessa conta, e o motivo é que o roteiro da viagem não parou na exibição do curta dentro da programação do festival. O filme foi matéria no site do Público, um dos mais lidos da Espanha, com cerca de 4 milhões de leitores, o que fez com que o trailer do filme no Vimeo recebesse acessos do mundo inteiro e nossas estatísticas de visualização caducassem. Mesmo que em uma versão de 30 segundos, a gente fica feliz de saber que o documentário ajuda a desfazer o tabu sobre o tema.

Sabe o que é ainda melhor? Poder dividir o “Se você contar” com vocês e ter a certeza de vida longa. Saber que o filme vai causar ainda muitas reflexões e nos proporcionar colher tantos outros frutos. Em fevereiro de 2018 ele estará disponível na programação do Canal Brasil e vai chegar a muitos lares que precisam receber, e nem sabe que vão, um filme sobre abuso sexual infantil. Madri foi a porta de entrada para o mundo lá fora e nós sabemos que é só o começo desse caminho de luz. Aguardem os próximos passos, estamos ansiosos para partilhar boas notícias e conquistas.

Comments are closed.